Impactos da estomia instestinal: Perspectivas acerca da vivência do ostomizado

Gabriel Nivaldo Brito Constantino1, Daiane Lopes dos Santos1, Wanderson Alves Ribeiro2, Cristal dos Santos Grassel 1, Lorena Costa Klein1, Miriam Maria Ferreira Guedes1, Ana Fagundes Carneiro1, Tarsila Reis Pinto Pires1, Milena Rangel Siqueira1, Pietro Henrique Benevides Pedrosa1, Ane Raquel de Oliveira1, Viviane Cortes Cruz de Souza1, & Érica Motta Moreira de Souza1

1Acadêmico(a) do curso de Graduação em Enfermagem pela Universidade Iguaçu, Iguaçu, Rio de Janeiro, Brasil

2 Enfermeiro, Mestre e Doutorando pelo Programa Acadêmico em Ciências do Cuidado em Saúde pela Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa pela Universidade Federal Fluminense, Niterói, Rio de Janeiro, Brasil

Correspondência: Wanderson Alves Ribeiro, Enfermeiro, Mestre e Doutorando pelo Programa Acadêmico em Ciências do Cuidado em Saúde pela Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa pela Universidade Federal Fluminense, Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. Docente do Curso de Graduação em Enfermagem e Pós-graduação da UNIG, Iguaçu, Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: nursing_war@hotmail.com

 

Recebido: Abril 18, 2023                             DOI: 10.14295/bjs.v3i2.507

Aceito: Novembro 14, 2023                        URL: https://doi.org/10.14295/bjs.v3i2.507

 

Resumo

Estoma é um termo que tem significado de boca. A estomia intestinal é um procedimento cirúrgico, que visa alterar o trajeto dos efluentes, exteriorizando parte do intestino na superfície do abdômen. Assim, com esta mudança, há diversos impactos na vida dos indivíduos que são submetidos a este procedimento cirúrgico. Identificar através da pesquisa de artigos os impactos que o ostomizado perpassa durante sua vivência desde o âmbito religioso, até o laboral. Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica da literatura de abordagem qualitativa do tipo análise reflexiva descritiva. As buscas foram realizadas nas bases de dados BVS, Google acadêmico entre fevereiro e maio de 2023. Feito a aplicabilidade de critérios de inclusão e exclusão. Foram selecionados 26 artigos que tinham coerência com os descritores apresentados e com o objetivo desta revisão. Após ser feito a leitura reflexiva quatro pontos foram levantados acerca desta parcela populacional: A repercussão da estomia intestinal para a saúde mental; Impactos da estomia intestinal no retorno das atividades laborativas; A vida sexual da pessoa com estomia intestinal; A religiosidade e espiritualidade como rede de apoio para a pessoa com estomia intestinal. Conclui-se que a estomia, apesar de ser um método que visa melhorar a qualidade de vida da pessoa que a possui, seja de modo permanente, seja temporário, gera diversos impactos na vivência do ostomizado, afetando distintos âmbitos. Portanto, este estudo se mostra de grande valia para que se possa analisar estes impactos, bem como demonstrá-lo de modo suscinto. 

Palavras-chave: cuidados, ostomia, impactos na saúde, doença intestinal, cirurgia, qualidade de vida.

Impacts of intestinal ostomy: Perspectives on the experience of the ostomized

Abstract

Stoma is a term that has the meaning of mouth. Intestinal stoma is a surgical procedure, which aims to change the path of effluents, exteriorizing part of the intestine on the surface of the abdomen. Thus, with this change, there are several impacts on the lives of individuals who are submitted to this surgical procedure. To identify through the research of articles the impacts that the ostomized go through during their experience from the religious sphere, to the labor. This is a literature review study of a qualitative approach of the reflective descriptive analysis type. The searches were conducted in the BVS and Google academic databases between February and May 2023. Inclusion and exclusion criteria were applied. Twenty-six articles were selected that were consistent with the descriptors presented and with the objective of this review. After the reflective reading, four points were raised about this population: The repercussion of the intestinal ostomy for mental health; Impacts of the intestinal ostomy in the return of the labor activities; The sexual life of the person with intestinal ostomy; The religiosity and spirituality as a support network for the person with intestinal ostomy. It is concluded that the ostomy, despite being a method that aims at improving the quality of life of the person who has it, either permanently or temporarily, generates several impacts on the experience of the ostomized person, affecting different areas. Therefore, this study is of great value in order to analyze these impacts, as well as to demonstrate them in a succinct way.

Keywords: care, ostomy, health impacts, intestinal disease, surgery, quality of life.

 

1. Introdução

Segundo da Silva et al. (2022) a história da ostomia remonta aos tempos bíblicos, em que Praxógoras de Kos (350 a.C.) realizava em casos de trauma abdominal, um método para excretar as fezes: “e ao estendendo sua mão esquerda, tirou a adaga e lhe cravou no ventre (de Eglon, rei de Moab) com tanta força que os copos entraram com a folha pela ferida e logo os excrementos do ventre surgiram pela ferida”. A partir do início do século XVIII, os relatos de colostomia tornaram-se mais frequentes.

A ostomia é uma abertura criada cirurgicamente no abdômen para conectar o intestino à superfície do corpo, a fim de desviar conteúdos de secreções, fezes ou urina que serão depositadas em uma bolsa coletora. Dependendo da parte do intestino envolvida na confecção do estoma ele pode ser classificado em ileostomia, quando é realizado a partir do íleo, ou colostomia, quando é realizado a partir do colon (Danielsen et al., 2013; Couto et al., 2021; Dos Santos Reis; Vieira, 2021).

O principal objetivo de uma colostomia é restabelecer uma nova condição de vida, entretanto, o impacto da realização de uma colostomia em um indivíduo gera uma série de preocupações e receios que vão desde rejeição do estoma às dificuldades na adaptação e reintegração social, afetando sua vida e cotidiano em vários aspectos. A portaria nº 400, de 16 de novembro de 2009, garante ao paciente colostomizado assistência integral nas unidades de atenção básica e especializada de saúde, com foco na sua reabilitação, através do autocuidado, realizando práticas de promoção e prevenção de complicações, além de disponibilizar recursos para os equipamentos de coletores e seus acessórios (De Oliveira; Dos Santos Maia, 2020).

O estoma, também chamado de ostoma intestinal de eliminação, pode ser temporário ou definitivo de acordo com a necessidade terapêutica do indivíduo. Contudo, independente do seu tempo de permanência, surgem várias mudanças a nível social, familiar e principalmente psicológico, o que é determinante para a qualidade de vida dos ostomizados. Além disso, é válido elencar algumas das causas mais comuns que levam à presença de um estoma, sendo eles: o câncer intestinal (relacionado com estilo de vida sedentário, obesidade, tabagismo, bebidas alcoólicas e a predisposição genética); traumas provocados por acidentes de trânsito, arma branca e arma de fogo; Doença inflamatória intestinal (como retocolite ulcerativa e a doença de Crohn); Polipose adenomatosa familiar; entre outras (Couto et al., 2021; Dos Santos Reis; Vieira, 2021; Santos et al., 2021).

Os pacientes recém estomizados encontram muitas dificuldades para se adaptar a sua nova forma corporal, inicialmente desenvolvem reações emocionais como negação, ira e depressão, além de apresentarem problemas de convívio social. Com as modificações fisiológicas advém as necessidades dos cuidados com a bolsa de colostomia, pois com ela surgem incômodos como, por exemplo, as eliminações de gases, vazamentos e o odor exalado pela bolsa. Além disso, há complicações devido ao uso inadequado da bolsa de colostomia, que pode ocasionar inflamação da pele, entre outras (Couto et al., 2021; Dos Santos Reis; Vieira, 2021).

Os ostomizados são expostos a uma nova realidade após a realização da cirurgia, sendo uma das experiências mais difíceis e talvez mais traumáticas de sua existência. Diante desta complexidade vivida, faz-se necessária uma orientação técnica multidisciplinar de profissionais, tais como: Médicos; Enfermeiros; Nutricionistas; Assistentes sociais; e psicólogos. Deste modo, eles devem atuar junto ao ostomizado de forma que o forneça informações, apoio, confiança e melhor qualidade de vida, assim, será possível alcançar este objetivo. Os profissionais que os atendem devem sempre visar a uma reabilitação íntegra e precoce, para que haja um enfrentamento dos obstáculos diários (Dos Santos Reis; Vieira, 2021; Neiva et al., 2020).

Diversos fatores contribuem para complicações com os estomas, como idade, alimentação, técnica-cirúrgica inadequada, esforço físico precoce, deficiência no autocuidado, infecções, aumento de peso, localização inadequada da estomia e uso incorreto de dispositivos, sendo indispensável a educação em saúde e inclusão do paciente ostomizado na realização do autocuidado (De Oliveria; Dos Santos Maia, 2020).

É atribuição do enfermeiro orientar o paciente quanto a sua condição clínica, a realização do procedimento cirúrgico e, particularmente, sobre a participação do mesmo no seu processo de recuperação pós-operatória, utilizando como metodologia a orientação pré operatória, com abordagem clara e sucinta, respeitando os conhecimentos, a cultura e o contexto no qual o paciente está inserido (Neiva et al., 2020).

A assistência e o acolhimento deste indivíduo desde o primeiro atendimento hospitalar impactam diretamente na vivência domiciliar, onde encontrarão forças para aceitar e compreender seu processo e transpor suas dificuldades prosseguindo com a adesão da autonomia do autocuidado. Pois, no âmbito domiciliar, é comum a família exercer o papel de cuidador, até que realizem seus primeiros passos rumo à sua independência (De Oliveira; Dos Santos Maia, 2020).

Os pacientes ostomizados necessitam de tempo para se recuperarem, para aprenderem a lidar com a ostomia e se adequarem mentalmente às mudanças, as quais geram um temor muito grande e são acompanhadas por mecanismos de enfrentamento, que podem ser sentimentos de negação, raiva, barganha, temor, ansiedade e incerteza, pois a perda de controle e a dependência são fatores de ameaça ao mesmo, o que coloca em risco a sua segurança, a autoconfiança e a autonomia (Dos Santos Reis; Vieira, 2021).

A cada procedimento, relativo ao seu autocuidado, efetivado com êxito há o estimulo e motivação para o desenvolvimento de sua autonomia, consubstanciando a dependência do familiar ao mínimo necessário. O paciente que alcança o empoderamento de seu autocuidado desfruta de sua independência, ascendendo sua qualidade de vida, alcançando a condição plena em que o estoma se adaptou ao seu corpo e não o paciente ao estoma (De Oliveira; Dos Santos Maia, 2020).

Devido aos padrões ditos normais da sociedade, o ostomizado fica à retraído, o que gera dificuldade no seu dia a dia. Um exemplo disso, é o constrangimento do não controle dos gases, das fezes, do odor, a não aceitação e adaptação ao uso da bolsa, a alteração do seu corpo e imagem corporal, práticas de higiene inadequadas, a mudança de vestimenta, o lazer interrompido, atividade sexual comprometida, estigmatizações e outros desconfortos (Dos Santos Reis; Vieira, 2021; Song et al., 2022).

Assim, nota-se que uma ostomia mudar significativamente a vida de uma pessoa, haja vista as mudanças nas dimensões física, psicológica e social que impactam diretamente a qualidade de vida. Assim, acerca da reabilitação do paciente que convive com uma ostomia, o enfermeiro possui um papel primordial no processo de adaptação do indivíduo ao estoma, bem como, no manejo e na prevenção de complicações pós-operatórias (Santos et al., 2021).

Neste sentido, este estudo objetivou analisar os impactos acerca da vivência dos pacientes que possuem estomia instestinal.

 

2. Material e Métodos

Trata-se de um estudo descritivo, qualitativo do tipo análise reflexiva, elaborado a partir revisão da literatura sobre os “impactos da estomia intestinal para pessoa estomizada”.

Para tanto, foi realizada uma revisão narrativa. Os estudos de revisão narrativa são publicações com a finalidade de descrever e discutir o estado da arte de um determinado assunto. Apesar de ser um tipo de revisão que conta com uma seleção arbitrária de artigos, é considerada essencial no debate de determinadas temáticas, ao levantar questões e colaborar para a atualização do conhecimento (Rother, 2007; Bernardo et al., 2004).

Desse modo, a revisão foi realizada de forma não sistemática, com busca aleatória do material nas bases de dados da biblioteca virtual de Saúde, Google Acadêmico, Scopus e Elsevier, para responder a seguinte questão: Quais os impactos da estomia intestinal para pessoa estomizada? Para a busca dos estudos utilizou-se os descritores: Condições socioeconômicas; Estomia; Enfermagem; Programas Nacionais de Saúde.

Foram selecionados e analisados artigos publicados nos últimos cincos anos, nos idiomas português e que abordassem o tema e no intuito de adquirir maior aprofundamento e aproximação com o objeto de estudo para subsidiar as reflexões. A partir de então, foi realizada uma síntese qualitativa dos trabalhos analisados e considera-se que os critérios de busca e seleção estabelecidos foram satisfatórios para atender ao objetivo deste trabalho.

Cabe mencionar que os textos em língua estrangeira foram excluídos devido o interesse em embasar o estudo com dados do panorama brasileiro e os textos incompletos, para oferecer melhor compreensão através da leitura de textos na integra.

Por meio do procedimento de busca, foram identificadas 59 publicações com potencial para fundamentar este manuscrito. Após a avaliação dos títulos e resumos, 26 artigos foram considerados para leitura na íntegra e, contemplando os critérios de inclusão, puderam subsidiar a esta reflexão.

A apresentação das explanações e reflexões a serem tecidas se dará na forma de eixos condutores sobre o tema, advindos de interpretações da literatura e também, impressões reflexivas dos autores. Estas interpretações foram dirigidas pela compreensão do tema no contexto do cuidado clínico de Enfermagem subsidiado por leituras, reflexões e discussão dos autores, pautado por quatro temáticas: Repercussões da estomia intestinal para a saúde mental da pessoa estomizada; Impactos da estomia intestinal no retorno as atividades laborativas; A vida sexual da pessoa com estomia intestinal; A religiosidade e espiritualidade como rede de apoio para a pessoa com estomia intestinal.

 

3. Resultados e Discussão

3.1 Repercussões da estomia intestinal para a saúde mental da pessoa estomizada

O impacto da estomia provoca uma alteração da imagem corporal, acarretando em diversas reações que dependem das características individuais, dos suportes sociais encontrados e da percepção da perda vivida pelo paciente. Tal fato se deve ao ostomizado sofrer diversas baixas em importantes aspectos da sua vida que vão desde alterações fisiológicas, a alterações psicológicas, o que pode gerar efeitos muito negativos em relação à sua autoestima e, até mesmo, interferir no autocuidado (Mareco et al., 2019; Ribeiro et al., 2022).

Um paciente sem um acompanhamento da sua saúde mental, irá acarretar em diversas complicações. O fato de o indivíduo agora ter a presença de um estoma em seu corpo, acaba gerando um pensamento de fim de vida, o que dificulta a aceitação da doença e, consequentemente, seu tratamento. Quando a sua saúde mental não está em harmonia com sua nova condição de vida, pode-se levar à depressão acompanhada de sentimento de culpa, raiva, apatia e tristeza. Assim, leva-se a desdobramentos negativos acerca do enfrentamento, o que pode acarretar a negligência do autocuidado (Sarabi, 2020; Ribeiro et al., 2022).

Após a confecção do estoma os pacientes estomizados apresentam uma autoestima diminuída devido à alteração em sua imagem corporal. Tal fato ocorre devido ao uso da bolsa causar desconforto, insegurança, preocupação com gases, vazamentos e eliminação de odor pelas fezes, o que gera um sentimento de desprestígio, revolta, não aceitação, insegurança e depressão por conta de sua nova condição de vida (Mareco et al., 2019; Cirino et al, 2020).

O paciente estomizados tende a ter uma carga emocional diferenciada, com mudanças em seus comportamentos após a inserção do estoma, entretanto, quanto antes esse paciente refletir sobre suas emoções e se propuser a aprender a realizar o seu autocuidado, tão logo ocorrerão mudanças positivas no seu comportamento e em sua saúde mental que o ajudarão a uma reinserção social (De Souza et al., 2020).

Os profissionais da saúde devem procurar atuar com foco na integralidade do paciente, compreendendo que eles possuem necessidades no âmbito biológico, psicológico e social. Os cuidados com a saúde mental fazem parte integrante dos cuidados com a vida e são necessários para aceitação do paciente mediante a situação que ele se encontra (Monteiro et al., 2020).

As orientações dos profissionais ajudam no manejo da bolsa de colostomia, pois os pacientes têm relevante dificuldade quanto a isso, o que leva a convivência a ser um óbice que deve ser constantemente enfrentado. Estas orientações possibilitam aos ostomizados cuidar com confiança e segurança, melhorando sua qualidade de vida, exercida sob seu autocuidado, o que evita complicações, além de se aceitar e conduzir com maior facilidade o percurso vivencial (Silva et al., 2020; Da Silva et al., 2022).

A psicoterapia é importante para que o paciente aceite sua nova vida com a bolsa de colostomia, isto é viabilizado por meio da adoção de medidas que minimizem sua rejeição, pois assim, afasta-se problemas psicológicos, cognitivos e comportamentais como: stress; ansiedade; transtorno obsessivo, dentre outros (dos Santos Reis; Vieira, 2021).

O sentimento de timidez, bem como o de diferença, é muito frequente na vida das pessoas ostomizadas, o que traz dificuldades na busca de novas amizades e atrapalhando o bom convívio social. A perca da autoestima em relação ao estoma e ao uso da bolsa coletora implicam no desenvolvimento de quadros depressivos e até mesmo para pensamentos voltados para o suicídio (De Sousa et al., 2022).

Na adaptação à convivência com o corpo alterado e o surgimento de sentimentos negativos, como angústia, medo, tristeza e desamparo, os pacientes estomizados vivenciam mudanças, principalmente relacionadas à sua vida social, que podem acentuar seus sentimentos de insegurança e temor de rejeição. Destaca-se a dificuldade de reconhecimento em face à modificação corporal e perda da individualidade, aspectos que têm impacto direto na saúde mental (De Souza et al., 2020).

Estudos revelam que os ostomizados desencadeiam uma série de desiquilíbrios psicológicos devido ao sentimento de insegurança que surge a partir do momento em que há alteração do corpo, onde há a perda do controle esfincteriano. Sendo assim, o ostomizado passa a lidar com o fato de que as suas evacuações não acontecem mais de forma voluntária, mas sim involuntariamente. Logo, perder o controle sobre os movimentos intestinais leva o ostomizado a enfrentar uma queda da sua autoestima, devido ao medo de sofrerem algum tipo de preconceito no meio da sociedade (De Sousa et al., 2022).

A nova condição de ser ostomizado muitas vezes atribui sobre a pessoa uma não adaptação, com isso, o cotidiano é tomado por um quadro de negação, onde, as atividades exercidas antes da ostomia são afetadas, dando enfoque ao estresse que pode ser correlacionado com a presença da ostomia e o uso da bolsa coletora, podendo ocasionar uma desordem emocional (Dos Santos Reis; Vieira, 2021).

A fase emocional da negação é acompanhada pelo declínio da autoestima, levando à automutilação e ao sentimento de exclusão de si e dos outros. Sentimentos como o de incompetência e falta de prestígio podem afetar suas relações sociais, mantendo-os longe de amigos e dos familiares, criando um foco perigoso em si mesmo, levando a ocorrência do desenvolvimento de transtornos, por exemplo, a depressão. O sentimento de inutilidade também pode se fazer presente na vida do ostomizado, pois é muito comum encontrar pessoas que em um primeiro instante, carregam a ideia de que não possuem mais a sua capacidade produtiva, fazendo com que ocorra um misto de sentimentos, tais como o medo e a tristeza (Sarabi, 2020).

O ostomizado enfrenta uma nova realidade, com isso, comportamentos, reações, perspectivas de vida e sentimentos são reveladas à tona, pode-se citar também o constrangimento por parte de cada um, a partir da ideia que passam a ter de que são diferentes e não pertencem mais aos grupos como era antes de possuírem um estoma devido a alguma razão citada anteriormente (De Sousa et al., 2022).

 

3.2 Impactos da estomia intestinal no retorno as atividades laborativas

O impacto da estomia no retorno ao trabalho pode variar dependendo da natureza da doença que levou à cirurgia, da condição geral do paciente e da natureza da própria estomia. Alguns pacientes podem retornar ao trabalho rapidamente após a cirurgia, enquanto outros podem precisar de mais tempo para se recuperar (Dos Santos et al., 2022).

Sendo assim, o ambiente profissional é encarado como continuação e reinserção da vida após o procedimento cirúrgico, pois nossa sociedade vincula o trabalho à possibilidade de ter uma identidade tanto social, quanto pessoal e de ter poder de consumo e compra. Não trabalhar remonta a esses pacientes sentimentos de tristeza, exclusão, abandono e desânimo, o que evidencia que o trabalho é um fator importante para as pessoas, haja vista que ele garante a subsistência material, o sentimento de ter utilidade, pertencer a um grupo e de ser produtivo, construindo e reconstruindo a identidade pessoal (Rocha et al., 2021).

Deve-se destacar que há pacientes ostomizados que possuíam vínculo empregatício, contudo, preferiram se afastar em definitivo das atividades laborais, mesmo após a sua recuperação, optando por receber o benefício previdenciário. Isto se deve à dificuldade de inserção desse indivíduo no mercado de trabalho, quando se encontram desempregados (Cirino et al., 2020).

E nesse cenário de inserção do estomizado ao trabalho, as dificuldades encontradas são ainda maiores do que para os demais indivíduos, pois as pessoas com estoma experimentam diversos sentimentos como medo, insegurança e ansiedade quanto a sua nova condição de vida. Além disso, procuram a inclusão enquanto ainda precisam lidar com as alterações da imagem corporal -de modo que se realizem os cuidados exigidos pela estomia- e com as modificações no funcionamento do organismo (Dos Santos et al., 2022).

Posto isto, voltar a rotina trabalhista pode ser vista como a possibilidade de ter sua independência reiniciada, sentindo-se útil e inserido na sociedade, além da possibilidade de trazer o sustento financeiro necessário para sua sobrevivência e de sua família. Quando esse indivíduo tem a oportunidade de retornar as atividades laborais, sente-se inserido dentro da sociedade novamente. Sendo essa inclusão muito positiva na reabilitação do estomizado, principalmente para aqueles com diagnóstico de estomia definitiva. Portanto, a reintegração social e laborativa deve ser a meta do acompanhamento deste paciente, assim como lidar com atividades de lazer (Rocha et al., 2021; Dos Santos et al., 2022).

Pesquisas evidenciaram que o enfermeiro exerce papel importante como educador em saúde ao transmitir informações aos pacientes e familiares sobre todo o processo de adaptação até o desenvolvimento de suas habilidades para recuperar a sua autonomia e ao aprender a se cuidar sozinho, viverá com mais qualidade de vida. Assim, o ostomizado exerce sua condição de sujeito, independente e autônomo, o que diminui sua insegurança – Um dos sentimentos identificados como determinante na nova condição emocional, refletindo diretamente na vida social, amorosa e laboral desses indivíduos (Cirino et al., 2020; Pinto et al., 2021).

A cirurgia de estomia pode ter um impacto na vida profissional de algumas pessoas, mas esse impacto pode variar de acordo com o tipo de trabalho que a pessoa realiza, a forma como ela lida com a mudança e o apoio que recebe de seus colegas e empregadores. Alguns pacientes relataram dificuldades em retornar ao trabalho após a cirurgia de estomia, enquanto outros relataram poucas ou nenhumas mudanças em sua vida profissional (Rocha et al., 2021; Dos Santos et al., 2022).

Destarte, ao retornarem as suas atividades laborais, preenchidos de expectativas, as pessoas com ostomia se deparam com o preconceito, despreparo da empresa para atender às necessidades de sua deficiência, além de suas próprias modificações fisiológicas que acabam se tornando empecilhos para retornar ao labor (Dos Santos et al., 2022).

As consequências das mudanças decorrentes dos estomas afetam diretamente a autoimagem, o que provoca perda da autoestima; déficit no convívio social, que se deve a reclusão do paciente ostomizado; e interferência no ciclo familiar, o que contribui com o surgimento do sentimento de incapacidade, não aceitação, repulsa e entre outros. A exclusão do ostomizado no ambiente de trabalho potencializa ainda mais esses sentimentos, piorando seu estado psicológico e afetando sua vida social (Pinto et al., 2021).

As dificuldades de inclusão se iniciam devido a própria situação em que o indivíduo se encontra. Os constrangimentos que podem ocorrer devido ao extravasamento do efluente causam uma enorme intimidação, além da rejeição, preconceito e o julgamento da sociedade também serem considerados barreiras para o retorno ao trabalho (Dos Santos et al., 2022).

As repercussões provenientes das mudanças no estilo de vida, as emoções e os sentimentos vivenciados pelos pacientes estomizados, após submetidos ao procedimento cirúrgico, podem fazer emergir sentimentos que influenciarão em sua adaptação, principalmente quando relacionados a mudanças que interferem diretamente nas atividades de vida diária, como relacionamentos, trabalho, lazer, entre outras (Cirino et al., 2020).

Após a cirurgia, o estomizado pensa em como reiniciar sua vida, como adotar maneiras práticas de manter suas atividades sociais, interpessoais e de lazer anteriores à cirurgia e, também, a inclusão de novas rotinas, como: frequência ao médico; como saber lidar com as dificuldades que possam aparecer; e até mesmo aquisição de dispositivos. Contudo, o impacto muitas vezes resulta em sentimentos negativos para este indivíduo, sendo eles: Perda; não aceitação; falta de privacidade; inutilidade; desgosto; depressão; e até mesmo o isolamento que ele próprio colocou para si (Dos Santos et al., 2022).

Em suma, o efeito da estomia na vida laboral, e na redução da capacidade para o trabalho, fazem parte dos tanto dos limites, quanto das consequências, decorrentes das alterações fisiológicas e anatômicas. Os cuidados com as bolsas coletoras fazem o paciente estomizado perceber suas limitações, alterando suas atividades do dia a dia, relacionadas com medo e constrangimento no ambiente de trabalho (Cirino et al., 2020).

Além do que foi supracitado, é válido elencar que de acordo com a política de saúde do trabalhador, a pessoa com estoma tem direito a retornar as suas atividades laborais em adequada condição para atender suas limitações físicas. Sendo assim, essa pessoa está respaldada legalmente pela Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, podendo utilizar a reserva de vagas de emprego (Cirino et al., 2020).

 

3.3 A vida sexual da pessoa com estomia intestinal

Atualmente vive-se em uma sociedade onde a beleza e o vigor são supervalorizados em detrimento à outras qualidades, e qualquer desvio do padrão imposto pela sociedade, pode fazer com que o indivíduo se sinta rejeitado. As dificuldades do portador de estomia, se inicia desde o diagnóstico, a aceitação da nova condição, mostrando que o impacto do procedimento é bastante complexo e o processo de reabilitação longo e difícil, denotando, assim, a necessidade de realização do autocuidado para manutenção da qualidade de vida e rotina de atividade diárias deste paciente (Ribeiro et al., 2021).

De acordo com a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, ter uma estomia pode afetar a vida sexual de algumas pessoas de diferentes maneiras. Alguns pacientes podem se sentir menos atraentes ou menos desejáveis devido à estomia, o que pode afetar sua autoestima e sua vida sexual. Outros podem ter medo de que a estomia interfira com o ato sexual ou tenham dificuldade em se sentir à vontade durante o ato sexual devido à presença da estomia. No entanto, é importante lembrar que a maioria das pessoas com estomia pode ter uma vida sexual ativa e satisfatória (Litwinski, 2012).

Além das alterações psicológicas, o indivíduo apresenta alterações físicas relacionada ao novo orifício que, nas primeiras semanas, apresenta-se edemaciado. Assim, ele se sente excluído e diferente dos demais, o que acentua a ocorrência de transtornos psicológicos e afeta sua vida sexual significativamente, haja vista que os estomizados relatam que é difícil reassumir a atividade sexual. Tal fato se deve, por exemplo, à vergonha de sua nova imagem ou a não aceitação por parte do parceiro frente à alteração da imagem corporal (Santos et al., 2019).

No período pós operatório, o ostomizado demonstra uma autoestima diminuída, além de poder apresentar depressão, autopercepção negativa com fobia social e dificuldades em suas relações conjugais, evitando o ato sexual e aproximação com o parceiro sexual. Dessa forma, a atividade sexual desses indivíduos fica limitada, haja vista que há a perda da libido e do desejo, além de haver a impotência sexual que está relacionada a alteração da anatomia e modificação do considerado natural. Alguns estudos mostram que boa parte das dificuldades sexuais também tem origem psicológica, sobretudo devido à vergonha frente ao parceiro, sensação de estar sujo e repugnante, gerando medo de ser rejeitado pelo parceiro/a (Dos Santos et al., 2022; Santos et al., 2019).

A estomia intestinal gera alterações intensas para o estomizado, afetando também os cônjuges, o que poderá influenciar o relacionamento e a convivência do casal, pois há dificuldade na performance relacionada às posições sexuais e o medo de situações constrangedoras oriundos dos equipamentos coletores. A vida sexual é frequentemente alterada nessas pessoas, desencadeando sentimentos de vergonha, isolamento e desinteresse em relação à vivência sexual. Portanto, constata-se que a mudança da estética corporal é um importante limitador na qualidade de vida, em especial na saúde sexual (Santos et al., 2019; Faria et al., 2022).

O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva também destacam a importância de os pacientes falarem sobre suas preocupações e dúvidas com seus médicos ou enfermeiros especializados em estomia, pois eles podem fornecer informações e apoio para ajudar os pacientes a se sentirem mais à vontade e confiantes em relação à sua vida sexual. Além disso, esses institutos mencionam que alguns pacientes podem se beneficiar de falar com um profissional de saúde mental ou de participar de grupos de apoio para pessoas com estomia, que podem fornecer um ambiente seguro e acolhedor para discutir questões relacionadas à sexualidade (Santos et al., 2019).

Para melhor abordar a esse público, é necessário a atuação de equipe multidisciplinar, já que a sexualidade é uma necessidade humana básica e o sexo é uma de suas significações e que tem relação com o simbolismo e com o desejo, não estando apenas relacionada aos órgãos sexuais, mas a todo sentimento que ele pode transcender. Contudo, os pacientes sentem medo da não aceitação do parceiro, de um possível abandono e de um possível rompimento da bolsa de estomia, o que demonstra que os estomizados têm maiores dificuldades no reajustamento sexual após a cirurgia (Faria et al., 2022).

As dificuldades relativas às atividades sexuais parecem estar associadas à insegurança; eliminação de forma involuntária de flatulências; medo da ruptura da bolsa; medo de rejeição; e odores. Além disso, esta pessoa passa a enxergar o seu corpo de uma outra forma ao sair da sala de cirurgia, sendo necessário apoio e orientação para melhor adaptar-se, pois, para cada lugar, a imagem muda em relação aos olhares de outras pessoas com as quais são estabelecidas relações (De Sousa et al., 2022; Ribeiro et al., 2021).

O paciente e seu parceiro necessitam de informações sobre sua sexualidade, pois nesta fase inicial pode-se configurar como um período de crise durante o qual tanto o ostomizado quanto seu parceiro precisam buscar adaptação. Devido ao estado de desequilíbrio psicológico, esse momento pode se configurar em crises perigosas, despertadas quando o indivíduo se depara com uma situação que considera ameaçadora (De Sousa et al., 2022).

A função sexual constitui componente importante na qualidade de vida. É ampla e transpõe o intercurso sexual propriamente dito. A sexualidade é considerada como um dos pilares da qualidade de vida, de caráter multidimensional, envolvendo os aspectos biopsicossociais de cada indivíduo, abrangendo seu potencial biológico, emoções e crenças adquiridas e modificadas no processo de socialização (Rivet, 2019; Ribeiro et al., 2021).

Além do que foi supracitado, é válido elencar que os efeitos sobre a sexualidade são afetados inclusive com a idade, que é acompanhada pelo desencadeamento de alterações como a diminuição de ereções, diminuição da lubrificação vaginal e alterações no tipo de ostomia. Assim, o processo de reajuste sexual ao ostomizado é de extrema importância, e os profissionais de saúde devem compreender e assistir o paciente de forma integral e sistematizada, indo além do tratamento da patologia e indo ao encontro da necessidade biopsicossocial do paciente (Silva et al., 2021; Pinto et al., 2021; Hedrick et al., 2023).

 

3.4 A religiosidade e espiritualidade como rede de apoio para a pessoa com estomia intestinal

Religiosidade e espiritualidade são ferramentas que atribuem significado à experiência de adoecimento. De um lado, a religiosidade está ligada a crenças, práticas, rituais e símbolos que facilitam a proximidade do homem ao que é sagrado. De outro, a espiritualidade representa uma busca pessoal quanto ao significado da vida e sua força criadora, e não tem como foco as crenças fixas (Faria et al., 2022).

Estudos demonstram que indivíduos com maior prática religiosa enfrentam melhor a doença, a aceitação das suas condições e o autocuidado. Sendo assim, conseguem ter uma qualidade de vida bem melhor. Em análogo a isto, é válido elencar que, para os ostomizados, a qualidade de vida está diretamente relacionada à maneira como lidam com as mudanças, logo, evidencia-se que a espiritualidade é um excelente aliado para o enfrentamento da sua condição (Aguiar; Silva, 2021).

A cirurgia de estomia pode ter um impacto na espiritualidade e religiosidade de algumas pessoas, mas esse impacto pode variar de acordo com a forma como o paciente lida com a mudança e o apoio que recebe de seus amigos, familiares e da comunidade religiosa. É através da religião que os pacientes estomizados encontram forças e apoio social para o enfrentamento da dor e de suas angústias na vida diária, produzindo alívio do sofrimento relacionado tanto à sua nova condição, quanto ao tratamento da doença que o levou a ela (Cirino et al, 2020); (Faria et al., 2022).

O estoma pode representar uma mutilação ou a perda da capacidade produtiva de uma pessoa. Situação que pode levá-la a buscar valores e crenças para auxiliar na sua compreensão. A espiritualidade colabora no enfrentamento da doença, contribuindo como um aporte, pois atribui um sentido ao adoecimento e auxilia na aceitação da condição. Ela faz parte da natureza e das necessidades humanas de buscar o sentido da vida, não sendo necessário ter ligação a alguma religião, especificamente (Faria et al., 2022).

Além disso, a espiritualidade proporciona a relativização da dor e dos problemas, o que auxilia na superação, assim como pode influenciar na adaptação da pessoa ao estoma, porém fica em segundo lugar no planejamento da assistência em saúde. Alguns pacientes relataram uma mudança na forma como se relacionam com sua fé e com a comunidade religiosa, enquanto outros relataram uma maior apreciação da vida e uma mudança positiva em sua espiritualidade (Faria et al., 2022; Aguiar; Silva, 2021).

Enquanto através da religião, pacientes estomizados procuram encontrar forças e apoio social para o enfrentamento da dor e de suas angústias na vida diária, produzindo alívio do sofrimento relacionado tanto à sua nova condição de estomizado, quanto ao tratamento da doença que o levou a ficar estomizado. Um estudo evidenciou que esta condição causa impacto e traz para as pessoas com estomas, limitações em diversos segmentos da vida e, ao incidir em suas atividades cotidianas, afeta sua qualidade de vida. Para o enfermeiro, a compreensão dos vários aspectos vivenciados por essa clientela é de grande importância, no planejamento do cuidar (Pittman et al., 2009; Cirino et al., 2020; Ambe et al., 2023).

Em suma, constatou-se que a cirurgia de estomia pode ter um impacto na espiritualidade e religiosidade de algumas pessoas, mas esse impacto pode variar de acordo com a forma como o paciente lida com a mudança e o apoio que recebe de seus amigos, familiares e da comunidade religiosa (Faria et al., 2022).

Portanto, é muito importante que os profissionais de saúde, principalmente médicos e enfermeiros, estejam atualizados em relação aos resultados de estudos que demonstram a repercussão positiva da religiosidade e espiritualidade no controle e enfrentamento de enfermidades, para que não desencorajem seus pacientes, levando-os a renunciarem suas crenças e práticas (Lemos; Reimer, 2020).

 

4. Conclusões

Após as análises feitas nas vertentes abordadas acerca dos impactos da estomia intestinal em uma pessoa, pôde-se verificar que o ostomizado perpassa por uma série de sentimentos e sensações que tangem o prejudica de diversas maneiras em sua vivência, desde a familiar, até mesmo a laboral. Portanto, é válido reforçar que esta parcela populacional precisa de mais atenção dos profissionais que o acompanha de modo que haja um melhor preparo desse indivíduo para as mudanças que enfrentará.

Além disso, cabe ao enfermeiro, juntamente a equipe multidisciplinar, promover educação em saúde de modo que facilite o aprendizado, a adaptação, domínio e habilidades acerca do autocuidado. Tal fato se deve a busca por proporcionar uma maior autonomia ao ostomizado, de modo que o propicie um sentimento de autossuficiência, haja vista que, como demonstrado ao decorrer desta pesquisa, há o sentimento de insuficiência e inutilidade sobre essas pessoas.

Em suma, o indivíduo com ostomia passa por uma série de alterações em sua vida após o procedimento cirúrgico, logo, o empenho tanto desta pessoa, quanto de seus familiares e os profissionais que o cercam, é de suma importância para que se tangencie uma melhor adaptação do ostomizado. Em um primeiro momento, é difícil esta adaptação, contudo, deve-se buscar artifícios que viabilizem, de modo facilitado, esta habituação como, por exemplo, a espiritualidade ou a religiosidade, como abordado neste trabalho.

Portanto, espera-se que, por intermédio deste estudo, crie-se uma percepção da necessidade de implementar esforços por parte de todo os âmbitos que cercam a pessoa ostomizada para que se propicie não só a inclusão, como aceitação, de forma facilitada desta parcela populacional. Assim, haverá redução tanto dos óbices aos quais ela pode perpassar, quanto dos impactos que a ostomia pode gerar em sua vivência.

 

5. Agradecimentos

Gostariamos de agradecer a Deus por nos permitir realizar este trabalho, assim como ao nosso orientador, Wanderson, que nos guiou para a construção do mesmo.

 

6. Contribuições dos autores

Wanderson Alves Ribeiro: orientação para confecção do estudo. Ana Fagundes Carneiro: construção da introdução. Érica Motta Moreira de Souza: construção da metodologia. Gabriel Nivaldo Brito Constantino: construção do tópico 3.1 e revisão e tradução para o Inglês. Viviane Cortes Cruz de Souza: construção do tópico 3.1. Daiane Lopes dos Santos: construção do tópico 3.2. Ane Raquel Oliveira: construção do tópico 3.3. Pietro Henrique Benevides Pedrosa: construção do tópico 3.4. Loren Costa Klein: revisão textual do manuscrito. Tarsila Reis Pinto Pires: revisão textual do manuscrito. Cristal dos Santos Grassel: revisão textual do manuscrito leitura reflexiva. Milena Rangel Siqueira: revisão textual do manuscrito leitura reflexiva. Miriam Maria Ferreira Guedes: seleção dos artigos com base nos critérios de inclusão e exclusão.

 

7. Conflitos de interesses

Não há conflitos de interesses.

 

8. Aprovação ética

Não aplicável.

 

9. Referências

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Financiamento

Não aplicável.

 

Declaração do Conselho de Revisão Institucional

Não aplicável.

 

Declaração de Consentimento Informado

Não aplicável.

 

Copyrights

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